quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O décimo dia de Tishrei

Yom Kipur é o dia mais sagrado do ano – no qual estamos mais próximos de D'us. É o "Dia da Expiação" – "Pois neste dia Ele te perdoará, te purificará, e serás purificado de todos os teus pecados perante D'us (Vayicrá 16:30). Durante 26 horas, a partir de vários minutos antes do pôr-do-sol em 9 de Tishrei até o cair da noite em 10 de Tishrei, nós "afligimos nossa alma": abstemo-nos de comida ou bebida, não lavamos nem untamos nosso corpo, não calçamos sapatos de couro, e abstemo-nos de relações conjugais. Passamos o dia na sinagoga usando uma veste branca chamada kittel (para assemelhar-se aos anjos sem pecado e para despertar pensamentos de arrependimento ao nos lembrar do dia de nossa morte). No decorrer do dia, fazemos cinco longos serviços de prece (Maariv, com seu serviço solene, Kol Nidrê, na véspera de Yom Kipur; Shacharit; Mussaf, que inclui uma narrativa detalhada do serviço do Templo; Minchá, que inclui a leitura do livro de Yonah; e Ne'ilah, o "fechamento dos portões" – o serviço ao pôr-do-sol), fazemos a confissão Al Chet dos pecados dez vezes, e recitamos Tehilim a cada momento possível. O dia é o mais solene do ano, porém um toque de júbilo o permeia; um júbilo que se revela na espiritualidade do dia e expressa a confiança de que D'us aceitará nosso arrependimento, perdoará nossos pecados, e selará nosso veredicto para um ano de vida, saúde e felicidade.Chabad.
 Parece estranho, estarmos tão ansiosos pela chegada do Yom Kipur, pois afinal de contas jejuaremos durante uma dia inteiro e não nos arrumaremos como nos outros dias de festas, pelo contrário, nosso objetivo é realmente afligir nossas almas. Entretanto, quando cumprimos com diligência o Dia do Perdão, somos preenchidos, de uma forma muito especial, pela presença de H'Shem. Na verdade, deixamos de dar atenção ao nosso corpo, às coisas do Olam Hazé, e voltamos nosso foco, para o espiritual, para elevar nossas almas, buscando ao Eterno, e estando mais próximos do Olam Haba.
Neste dia, império do Espírito sobrepõe o império da carne. Nossos desejos mais impuros são enfraquecidos, é um dia próprio para Kedushá - santificação. Lendo um artigo no Chabad encontrei este comentário do Rabino Eliyahu Dessler: "Em Iom Kipur, o poder da má inclinação (Ietzter Haráh) está mudo. Então, o anseio de uma pessoa pela elevação espiritual se afirma novamente, depois de ter estado dormente como resultado do enfraquecimento causado pelo pecado à alma. Este rejuvenescimento tem o objetivo de fazer com que a pessoa tenha consideração especial e perdão" É realmente isto que sentimos, uma sensação de fortalecimento, rejuvenescimento espiritual.
Yom kipur é dia de Teshuvá. O signicado de Teshuvá, é algo mais profundo que remorso ou vergonha, é um arrependimento genuíno, que nos transforma, que nos faz retornar ao caminho correto, devido às disciplinas de H'Shem. Fazer o jejum sem arrependimento, não há obtenção de perdão. Os Rabis afirmam que a pessoa deve primeiro arrepender-se, e então obterá a expiação especial de Yom Kipur. 
Cada Festa que o Eterno ordenou que fizéssimos, possui como centro o Mashiach, e era em Yom Kipur,  que o Sumo-Sacerdote, entrava no Santo dos Santos, para interceder por todo o povo de Yisra'el. Yeshua, o Mashiach, é nosso Sumo-Sacerdote diante do Trono do Eterno e, o como ro'sh Marcos Andrade Abrão citou, profeticamente esta festa se tornará plena, quando todo o remanescente de Israel aceitar o testemunho de Yeshua, o Sumo Sacerdote espiritual de D’us. O versículo que marca este momento está no livro do profeta Zacarias: “Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” (Zacarias 12:10).


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A hora de Parar.

O Eterno, o D'us Todo Poderoso, é Justo, benevolente, tardio em irar-se, cheio de graça e misericórdia, e , sendo um D'us prático, durante todo o ano Ele, literalmente, nos concede oportunidades para pararmos um tempo e dedicá-lo ao estudo da sua palavra e ao cumprimento suas Mitsvot, isto é, para nos santificarmos.
A cada semana paramos, de sete em sete dias. Trabalhamos durante seis dias, mas no sétimo, no Shabat, dizemos stop a tudo o que nos rodeia e que é ligado ao Olam Hazé. No Shabat, durante todo o dia, trocamos de trabalho, deixamos o serviço secular e passamos a trabalhar para o Eterno, quando todos são iguais, e onde há somente um chefe, H'Shem. A cada mês o Eterno, nos orienta, a pararmos para ouvirmos a voz do Shofar em Ro'sh Chodesh. Em cada Ro'sh Chodesh, paramos, ouvimos a voz de H'Shem, e clamamos para que o mês tenha uma boa configuração e seja repleto de livramentos. Paramos em Pessach, quando o Eterno nos conduz a retirar todo o fermento de nossa casa. Em Pessach, lembramos da libertação de Yisra'el das mãos arbitrárias de faraó. Durante este período reconhecemos o grande poder de Adonai e sua incomparável benevolência. Em Pessach temos mais uma chance de mudança, de transformação, pois assim como retiramos o fermento de nossas casas, somos guiados a retirarmos o fermento da nossa vida, fermento este que simboliza o pecado, as más ações. Algumas semanas depois de Pessach, paramos novamente em Shavuot, e lembramos a outorga da Torah ao nosso povo, e refletimos sobre a importância  do estudo da palavra, do cumprimento das Mitsvot, e de como a submissão ao Eterno é fator primordial para o crescimento espiritual. A cada ano, em Ro'sh Hashaná, paramos, mais uma vez, para ouvirmos a voz do Shofar, o que gera um despertamento em nossas almas, para que estejamos, mais conectados com H'Shem, neste novo ano, e para que estejamos mais ligados ao Olam Habá. Em Rosh Hashaná, o Eterno nos chama à introspecção, à auto-avaliação, nos orienta a quebrantarmos nosso coração, para que estejamos prontos para o dia tão sagrado para Yisra'el, o Yom Kipur. Neste dia, além de não continuarmos com as tarefas rotineiras, damos um stop em nossa carne . Não comemos, não bebemos, não passamos perfumes, maquiagem, não usamos nada que contenha couro...Em Yom Kipur, dizemos não a nós mesmos, à nossa vontade, dizemos não à nossa carne, pelo contrário, nós a afligimos, como diz na Torah: "... e afligireis vossas almas; e nenhum trabalho servil fareis. Bamidbar 29:7. O Dia do Perdão, é uma porta aberta, para fazermos a Teshuvá, algo mais profundo que remorso e vergonha, algo que nos faz mudar de fato, um arrependimento genuíno, que nos coloca no caminho correto, através da disciplina de Elohim. Yom kipur é um é uma oportunidade para recomeçarmos, de sermos renovados pelo Eterno, de anularmos os maus decretos e clamarmos para que bons decretos sejam acrescentados em nossa vida no novo ano.
E por fim, chegamos à Sucot, festa na qual, recordamos que o nosso povo, habitou em cabanas frágeis no deserto. Sucot, nos faz compreender que nossa vida, assim como a passagem no deserto, é passageira, que como as cabanas, somos frágeis, e reconhecemos que o Eterno é o nosso Salvador, nosso Sustentador, nosso Protetor e nosso Feitor.
Portanto, quem determina a hora de parar é o Eterno. Ele estabeleceu, tempos e tempos para este propósito, e cada parada é uma nova oportunidade. É mais uma chance para voltarmos atrás e para buscarmos o Eterno com mais intensidade. Se não pararmos, corremos o risco de sermos levados pela roda da vida, que nunca para. E se formos controlados por ela, deixamos de compreender o sentido da nossa existência, o serviço à H'Shem. As paradas são necessárias, para que possamos ouvir a voz de H'Shem. Então pare, antes que seja irreversível.